
O mercado de drones agrícolas saltou nos últimos quatro anos de 3 mil unidades em operação para 35 mil drones em operação, segundo o consultor Eugênio Passos Schröder. Um drone de pulverização agrícola pode custar entre R$ 100 mil e R$ 300 mil, dependendo das características de cada equipamento. O custo para contratar uma aplicação de agrotóxicos, em geral, fica entre R$ 100 e R$ 400 por hectare, mas também pode variar por hora de voo, ou por serviço completo, incluindo preparo da solução. Qual é a melhor opção para se adotar na lavoura?
Para responder essa e outras perguntas, o pesquisador da Embrapa Soja Rafael Moreira Soares e o consultor Eugênio Passos Schröder reuniram as principais informações sobre pulverização agrícola com drones no documento "Uso de drones agrícolas no Brasil: da pesquisa à prática".
O documento apresenta os aspectos regulatórios, o uso da tecnologia por prestadores de serviço e agricultores, analisa resultados de pesquisas nacionais e internacionais e descreve exemplos práticos da aplicação em diferentes culturas. A publicação será lançada no Congresso Brasileiro de Soja e o Mercosoja 2025, realizado entre os dias 21 e 24 de julho, em Campinas (SP).
De acordo com Soares, os drones agrícolas têm características próprias no processo de pulverização, diferenciando-se dos aviões agrícolas e dos pulverizadores terrestres, sendo uma tecnologia intermediária entre os dois. "Por isso, é essencial uma análise criteriosa antes da sua adoção, para garantir que a tecnologia agregará benefícios à atividade agrícola", diz o pesquisador.
De acordo com dados do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), o uso de drones está presente em 29 culturas no Brasil, sendo usado em pastagens (83,8% do total), lavouras de soja (70,3%), milho (67,6%), açúcar (43,2%), café arábica (35,1%), banana (27%), feijão (24,3%), sorgo (21,6%), eucalipto (18,9%), arroz (13,5%), entre outras.
"Os modelos mais comuns são os multirrotores e os de asa fixa, com motorização elétrica por baterias", disse Soares. Os drones são classificados pelo peso e altura máxima de voo permitida e podem executar diversas atividades, como mapeamento georreferenciado, monitoramento, produção de imagens, aplicação de produtos líquidos e sólidos de forma automatizada.
Segundo o documento, ainda faltam dados para determinar, por exemplo, a taxa de aplicação de calda, a velocidade e a altura do trabalho, a faixa de pulverização, a deposição e uniformidade de gotas, a mistura de produtos e o controle do alvo biológico. O estudo também mostra que os equipamentos estão em constante evolução. Um exemplo de mudança na tecnologia é a tendência de adoção de bicos rotativos nos principais modelos de drones, substituindo as tradicionais pontas hidráulicas.
“O bico rotativo consiste numa ponta com disco giratório de alta velocidade que divide o líquido em gotas e oferece a opção de controlar o tamanho de gotas geradas, o que pode aumentar a uniformidade do espectro das gotas em comparação a pontas hidráulicas, pois elimina as gotas muito finas que causam deriva”, explicou o pesquisador da Embrapa Soja.
O pesquisador acrescentou que o lançamento de modelos de drones com tanques de 40 litros ou mais tornou possível a pulverização de mais de 100 hectares por dia com um único drone, aumentando a sua atratividade para uso no campo.
Segundo o empresário Eugênio Passos Schröder, para montar um negócio de drones para pulverização, o investimento engloba a aquisição do drone e de acessórios, além de veículo para atendimento da operação, estrutura administrativa e capital de giro. "Em um cálculo aproximado, o investimento total equivale a cerca de três vezes o valor do equipamento de drone que se pretende comprar", estimou Schröder.