
As vendas externas de carne de aves do Brasil voltaram a ganhar tração depois que Coreia do Sul, Angola e Catar comunicaram ao Ministério da Agricultura e Pecuária, na quarta-feira, 6 de agosto, a suspensão dos bloqueios sanitários adotados em maio, quando focos de influenza aviária provocaram alarmes em granjas de quatro estados. A decisão confirma a percepção, no governo e na indústria, de que o controle dos surtos evolui de forma satisfatória e reforça a imagem do país como fornecedor confiável – condição que segurou a participação brasileira em quase 35% do comércio global mesmo nos meses mais críticos da crise.
Com as três últimas reaberturas, já são trinta e nove países, além de Hong Kong, que retomaram integralmente as importações desde o início dos casos. O Japão seguiu movimento semelhante: embora mantenha restrições aos embarques oriundos de Campinápolis, em Mato Grosso, e de Santo Antônio da Barra, em Goiás, retirou o veto às cargas provenientes de Montenegro, no Rio Grande do Sul, o que alivia a pressão sobre produtores gaúchos. Ainda assim, a lista de mercados totalmente fechados ao frango brasileiro inclui Canadá, Chile, China, Macedônia do Norte, Malásia, Paquistão, Timor-Leste e toda a União Europeia, bloco que tradicionalmente absorve cortes de maior valor agregado. Há também embargos regionais: Arábia Saudita, Rússia e outros sete países restringem a compra a lotes fora do território gaúcho, enquanto Maurício, São Cristóvão e Nevis, Suriname e Uzbequistão aceitaram o princípio da regionalização previsto pela Organização Mundial de Saúde Animal e só barram produtos de zonas consideradas de alto risco.
Na avaliação do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, o avanço da regionalização e a comunicação transparente com parceiros aceleram o processo de normalização. Ele lembra que, embora o vírus da influenza aviária continue circulando em aves silvestres, não houve registro de disseminação sustentada em criações industriais desde junho, o que mantém o status de “país livre de IAAP” e sustenta a argumentação brasileira nos fóruns da OMSA e da Organização Mundial do Comércio. Dados preliminares da Associação Brasileira de Proteína Animal indicam que, mesmo com as restrições ainda vigentes, o volume embarcado em julho caiu apenas 3,2% em relação ao mesmo mês de 2024, reflexo da rapidez com que alguns mercados restabeleceram a confiança.
O setor agora volta atenções para Bruxelas e Pequim, os dois principais compradores que seguem com barreiras amplas. Negociadores dizem esperar avanços antes do fim do terceiro trimestre, impulsionados pelo consumo europeu de fim de ano e pela necessidade chinesa de diversificar fornecedores diante da queda no rebanho suíno local. Enquanto isso, frigoríficos reforçam protocolos de biossegurança, ampliam testes laboratoriais e mantêm ações de vigilância em parceria com governos estaduais na tentativa de impedir novos focos e consolidar, até o início de 2026, o retorno pleno aos patamares de exportação anteriores à crise sanitária.