
Omar Aziz iniciou sua trajetória política no Amazonas, ocupando cargos de deputado estadual, vice-governador e governador. Chegou ao Senado com a promessa de defender os interesses da região, mas sua carreira passou a ser cada vez mais associada a denúncias de corrupção e articulações obscuras nos bastidores de Brasília.
O episódio mais rumoroso da vida pública de Aziz é a Operação Maus Caminhos, deflagrada pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal, que apura o desvio de mais de R$ 260 milhões da saúde do Amazonas. O esquema envolvia contratos fraudulentos e sobrepreço de serviços médicos em um estado que já enfrentava graves problemas estruturais.
O nome de Omar aparece 256 vezes em relatórios da Polícia Federal, evidenciando seu peso dentro das investigações. Apesar da gravidade, o caso segue se arrastando na Justiça sem desfecho definitivo.
Omar ganhou projeção nacional em 2021 ao assumir a presidência da CPI da Covid. Apresentou-se como uma espécie de “xerife” da investigação, mas sua condução foi marcada por seletividade política, blindagem de aliados e embates midiáticos. Muitos analistas consideraram sua atuação mais um trampolim pessoal do que um esforço sério de fiscalização.
Nesta quarta-feira (20), Aziz foi derrotado ao tentar assumir a presidência da CPMI do INSS, comissão criada para investigar fraudes bilionárias em empréstimos consignados e descontos ilegais em benefícios previdenciários. Apesar do apoio de Davi Alcolumbre e Hugo Motta, o senador não resistiu à articulação da oposição, que conseguiu barrar sua candidatura e emplacar seus próprios nomes no comando da comissão.
A derrota expõe o enfraquecimento de Aziz dentro do Senado, onde sua influência já não tem o mesmo peso de anos atrás.
Entre investigações inacabadas, acusações de desvios e derrotas políticas, Omar Aziz se tornou um exemplo daquilo que há de pior na política brasileira: um representante que deveria zelar pelo bem público, mas cuja trajetória está carimbada por suspeitas e pela falta de credibilidade.
Sua figura continua sendo um lembrete incômodo da impunidade que marca parte da elite política do país, agora agravada pela rejeição de seus pares em postos de comando.