
Ravindra Jadeja, o jogador de críquete indiano chamado de “rockstar” por Shane Warne, entrou em campo no Gabba, em dezembro passado, com a imagem de um garanhão Marwari em seu bastão. Estampar nele o poderoso símbolo do lendário cavalo de guerra dos Rajputs é, ao mesmo tempo, uma declaração evocativa e uma demonstração da importância do Marwari no icônico estado desértico indiano de Rajasthan.
A aparência esguia e militar, as orelhas curvas em forma de lira e as marcações distintivas tornam a raça única. Segundo o capítulo britânico da associação Friends of Marwari, “seu status (histórico) foi incomparável, pois eram declarados divinos e superiores a todos os homens. Assim, apenas as famílias Rajput e castas guerreiras tinham permissão para montá-los. Eles eram criados para elevar o espírito na batalha.”
Alguns anos atrás, o doutor Rao Ajeet Singh, criador de Marwaris, organizador de eventos, solucionador de problemas e proprietário e guia da empresa de turismo Horse India entrou em cena.
Uma das ações para se mostrar é que ele vem montando alguns de seus esplêndidos cavalos rumo a uma remota aldeia do deserto, a certa distância de Ranakpur, Rajasthan, uma pequena cidade famosa pelo Templo Jain Chaumukha, quando o chefe local perguntou: “o que esse homem (referindo-se a um estrangeiro) faz para poder entrar na minha aldeia como um rei?”
Ele não parecia estar brincando. Shane Warne, o estrangeiro, estava em um cavalo castrado chamado Hansraja (rei cisne) e ficou por um tempo sem palavras. Então, foi convocado para o chá da manhã com ele e os anciãos da aldeia no dia seguinte, quando precisou se explicar.
Warne esteve em várias viagens a Rajasthan nos últimos anos montando Marwaris pelas aldeias, desertos e colinas, e podia atestar sua força, poder, resistência e a absoluta alegria de passar um tempo com eles.
Percorrendo mais de 40 km em um dia e acampando, ele chegou cavalgando até portões de palácios, galopando por campos irrigados, várzeas de rios e trilhas desérticas. Foram prazeres singulares.
A paisagem é extraordinária. Poeira e areia se misturam a terras férteis de cultivo, afloramentos rochosos servem de refúgio para leopardos e cada aldeia tem pelo menos um templo.
A cavalo, você conhece os moradores locais, pode se afastar de qualquer trilha batida e a acessibilidade de veículos deixa de ser relevante. Mas esteja preparado para posar para muitas selfies com as crianças, já que estrangeiros ainda são uma novidade.
Por uma combinação incomum de circunstâncias, Shane Warne também participou de uma prova de resistência em Rajasthan montado em um Marwari, percorrendo 20 km pelas franjas do deserto, e em outra viagem jogou no que foi supostamente o primeiro torneio de polo com camelos realizado em Ranakpur. Ele aprendeu da forma mais difícil que cavalgar camelos e cavalos exige habilidades muito diferentes. O time Resto do Mundo perdeu para a Equipe Índia por 9 a 0.
Rajasthan é um lugar mágico onde praticamente tudo é possível. Por mais surreais que essas experiências possam soar, não estão fora do alcance de quem consegue lidar com cavalos e é um cavaleiro razoavelmente competente.
A empresa Horse India, do Dr. Singh, oferece cavalgadas sob medida e programadas que passam, entre outros locais incríveis, pelo Forte de Kumbhalgarh, o Castelo de Ghanerao e o hotel Rawla Narlai, uma propriedade do século XVII que posso afirmar ser uma joia discreta (pelos padrões indianos).
Foi lindamente restaurada, o serviço é impecável e a culinária local fantástica. Também há a possibilidade de fazer um safári para observar leopardos, que ao entardecer em um afloramento rochoso é uma raridade.
Uma cavalgada de oito dias custa a partir de aproximadamente £3.000 (US$ 6.100 ou R$ 33 mil ), sem incluir voos, vistos e gorjetas.
Rajput (do sânscrito raja-putra, “filho de um rei”) são descendentes das classes guerreiras governantes do norte da Índia. Horseindia.com.

Um dos garanhões Marwari do doutor Singh - Foto: Stewart Hawkins