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Sistema de monitoramento ambiental será expandido para o Pantanal e biomas do Centro-Oeste

Projeto do IEEE e universidades brasileiras prevê instalação de torres com sensores e integração via satélite para prevenir desastres ambientais

Redação Digital
Por: Redação Digital Fonte: Da Redação
06/10/2025 às 09h42
Sistema de monitoramento ambiental será expandido para o Pantanal e biomas do Centro-Oeste
Pantanal está no rumo do projeto de expansão, mas esbarra na falta de conectividade da região - Rodolfo César

A expansão dos sistemas de monitoramento ambiental no Brasil deve alcançar o Pantanal e outras regiões críticas do país. A iniciativa, inicialmente voltada à Amazônia e ao Cerrado, foi confirmada por especialistas do Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE) durante a Futurecom 2025, realizada em São Paulo.

Segundo o professor da Universidade de Brasília (UnB) e membro sênior do IEEE, Renato Borges, o objetivo é criar uma rede nacional de dados ambientais que permita prevenir desastres e acompanhar mudanças nos biomas em tempo real.

“A Amazônia é referência, e o Cerrado já tem algumas iniciativas em andamento, mas precisamos de uma cobertura completa. Mato Grosso e Mato Grosso do Sul são protagonistas nesse processo, com grupos de excelência que já trabalham com esse tipo de infraestrutura”, destacou Borges.

Pantanal no centro das atenções

Com cerca de 65% de sua área total localizada em Mato Grosso do Sul, o Pantanal vem sofrendo com queimadas recorrentes. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicam que, somente em 2024, mais de 1 milhão de hectares foram atingidos pelo fogo.

Borges ressaltou que sensores específicos para o bioma já estão previstos no projeto.

“Para situações como queimadas, existem sensores próprios. A ideia é integrar essas informações e perceber os impactos ambientais em tempo real”, explicou.

Um dos principais desafios para a implantação das torres no Pantanal é a falta de conectividade. Muitas áreas não possuem cobertura de internet ou telefonia celular, o que dificulta o envio de dados. A solução, segundo o especialista, será combinar tecnologias terrestres e espaciais, com o uso de satélites para coleta e transmissão das informações.

“Essas torres terão autonomia energética, gerando e armazenando energia própria e enviando dados via satélite, garantindo operação mesmo em áreas isoladas”, completou Borges.

Integração com o Cerrado e novas tecnologias

Além do Pantanal, o Cerrado sul-mato-grossense também será contemplado. A região é estratégica por concentrar parte da produção agrícola do Estado e enfrentar o desmatamento crescente. Segundo o MapBiomas, o Cerrado foi o bioma que mais perdeu vegetação nativa em 2023.

Com a integração de novas torres e satélites, será possível monitorar queimadas, enchentes e mudanças no uso do solo em tempo real, apoiando políticas públicas de mitigação de riscos e estratégias de conservação ambiental.

Gêmeos digitais e inteligência artificial

A professora da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e também membro sênior do IEEE, Cristiane Pimentel, explicou que o projeto inclui o desenvolvimento dos chamados gêmeos digitais — réplicas virtuais de ecossistemas e estruturas físicas.

“Combinamos sensores, inteligência artificial e modelos preditivos para antecipar desastres ambientais. É possível prever, por exemplo, o tempo de vida útil de uma barragem e planejar manutenções preventivas”, detalhou.

Cristiane destacou que esses modelos já são aplicados em grandes centros urbanos, como São Paulo e Curitiba, para estudos de drenagem e planejamento urbano.

Borges complementou que o trabalho de campo, com instalação de torres verticais equipadas com sensores, é essencial para a coleta de dados que permitirão criar os gêmeos digitais dos biomas brasileiros.

“Essas estruturas ultrapassam a copa das árvores e captam informações em várias camadas, inclusive no subsolo. São fundamentais para entender o comportamento dos ecossistemas e os impactos da ação humana”, explicou.

Tecnologia a serviço da sustentabilidade

Os especialistas destacam que o monitoramento integrado e o uso de gêmeos digitais trarão mais precisão e segurança às decisões ambientais.

“Esses modelos vão ajudar governos e empresas a tomar decisões mais sustentáveis, reduzindo custos e o uso de recursos”, afirmou Cristiane.

Sobre o IEEE

O Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE) é a maior organização técnico-profissional do mundo, com mais de 486 mil membros em 160 países, sendo cerca de 5 mil no Brasil. A entidade é referência global em tecnologia, engenharia e inovação aplicada ao desenvolvimento humano e ambiental.

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