Pecuária Mercado Exigente
China demanda sustentabilidade e Brasil precisa estar preparado, diz assessor de Fávaro
Carlos Augustin disse que o poder público precisa de parcerias com a iniciativa privada para a adoção de boas práticas no campo
21/10/2025 09h49
Por: Redação Digital Fonte: Globo Rural
Mais de 50% da carne bovina consumida no país asiático é oriunda do Brasil — Foto: Jaelson Lucas/AEN

O assessor especial do Ministério da Agricultura, Carlos Augustin, afirmou nesta terça-feira (21/10) que a China está cada vez mais preocupada com questões ambientais atreladas aos produtos agropecuários que importa. Segundo ele, o Brasil deve estar preparado para atender os padrões de sustentabilidade com selos e certificados para atividades que preservam o meio ambiente, principalmente na cadeia de proteína animal.

Durante abertura do evento sobre o comércio sino-brasileiro de carne bovina, promovido pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), em Brasília, Augustin disse que já existem padrões internacionais para a soja e algodão, mas que é preciso desenvolver mecanismos para a cadeia pecuária. O Brasil é o principal fornecedor da proteína aos chineses.

Augustin disse que o poder público é "engessado" e precisa de ações em parceria com a iniciativa privada para destravar a adoção de boas práticas no campo e a comprovação desse processo. "Temos que mostrar, ter selo, competência e ser reconhecido pelo trabalho. Não adianta ter o melhor código florestal do mundo se nosso CAR [Cadastro Ambiental Rural] não funciona. Tem que ter a prova, senão fica vazio", afirmou no evento. "Temos o Código Florestal, único no mundo, e não temos reconhecimento", completou.

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Para o assessor, há mercado crescente para produtos mais sustentáveis. "Estamos envolvidos no Caminho Verde Brasil [programa de financiamento para recuperação de áreas degradadas] com a intenção de dobrar a produção brasileira em dez anos. Temos mercado para isso, mas temos que suprir esse mercado com grau alto de sustentabilidade. É uma missão nossa, do Brasil, privilegiar esses selos, fazer promoção internacional e não simplesmente colocar um produto no mercado, temos que colocar um produto superior em termos de sustentabilidade", acrescentou.

Augustin ressaltou que atualmente 50% da carne bovina consumida na China é oriunda do Brasil. Para ele, a dependência comercial não é ruim. "Dizem que temos que ter cuidado para não ser dependentes da China, mas a China também é dependente do Brasil. É uma dependência mútua, não é problema é solução", apontou.

O assessor especial afirmou que os Estados Unidos estão "tirando o pé" da meta de ser o "xerife ambiental do mundo" e que não existem razões para a China não assumir esse papel. "Pensamos que China não se importa com meio ambiente e sim com preço, mas é visível a preocupação", disse.

Ele defendeu o desenvolvimento de um selo internacional para a carne e elogiou a iniciativa do Imaflora, que lançará nesta terça-feira (21/10) o Beef on Track (BoT), uma certificação para a proteína brasileira produzida sem desmate.

Augustin apontou que algumas iniciativas podem ser indutores de boas práticas na cadeia pecuária, como financiamentos com descontos para quem está melhor ranqueado em termos de sustentabilidade e o pagamento de prêmios no preço da carne aos pecuaristas que seguem esses modelos. "Se for possível influir para que haja pequena diferenciação de preço, isso é indutor", disse Augustin.