A Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) divulgou nesta quinta-feira (23) a classificação preliminar dos produtores de leite contemplados no programa Proleite – Etapa de Melhoramento Genético da Bovinocultura Leiteira de Mato Grosso do Sul.
O Proleite (Programa de Desenvolvimento da Bovinocultura de Leite) foi lançado pelo governo estadual em abril deste ano, durante a Expogrande 2025, e tem objetivo de elevar a produção de leite em MS.
A relação de contemplados consta na página 35 do DOE MS (Diário Oficial do Estado de Mato Grosso do Sul).
A seleção, conduzida pela Copec (Coordenação de Pecuária), avaliou os produtores cadastrados com base em 16 critérios de produção e gestão, classificando-os em três estratos de pontuação: de 20 a 40 pontos, de 41 a 50 pontos e acima de 50 pontos.
Assim, foram desclassificados os participantes com produção média inferior a 100 litros de leite por dia.
Esta etapa do programa vai realizar distribuição de animais: bezerra, novilha prenhe ou touro. A ordem de distribuição seguiu a lógica de pontuação em cada faixa, priorizando produtores com produção diária entre 100 e 300 litros e melhor desempenho técnico.
O processo também considerou critérios como pontuação final, volume de produção, número de itens plenamente atendidos e ordem de cadastramento.
Os beneficiários deverão aceitar formalmente os conjuntos de animais, assumindo custos de frete, assinatura de termo de compromisso e contratação de seguro.
A seleção em questão se refere ao Edital Semadesc/MS nº 015/2024, que integra o Programa de Melhoramento Genético Proleite MS, que visa fortalecer a produção leiteira estadual, promovendo eficiência genética, aumento da produtividade e melhoria da renda nas propriedades rurais.
O Programa de Desenvolvimento da Bovinocultura de Leite foi lançado pelo Governo de Mato Grosso do Sul em abril deste ano, durante a Expogrande 2025, no Parque Laucídio Coelho, em Campo Grande.
A iniciativa foi criada pela Semadesc com investimento total de R$ 9.247.600. Assim, o plano de desenvolvimento da bovinocultura leiteira prevê ações como melhoramento genético de bovinos em 22 municípios prioritários, ampliação de assistência técnica, além de outros investimentos.
De acordo com o secretário executivo de Desenvolvimento Econômico Sustentável da Semadesc, Rogério Beretta, desde 2014 houve uma queda na produção de leite no estado. “De 380 milhões de litros de leite por ano que a gente produzia em 2014, nós hoje estamos produzindo 190 milhões de litros, e isso demonstra que o setor precisa de uma vitamina, de uma injeção de energia para a gente possa alavancar”, explica.
Além disso, segundo o secretário, no período do inverno há diminuição expressiva na produção do leite, devido a problemas nutricionais com o gado. Dessa forma, a sazonalidade acarreta alta ociosidade da indústria. “O produtor tem que se preparar para esse período de inverno e isso gera um problema em toda a cadeia. Imagina uma empresa que recebe 10 mil litros de leite por dia no verão e quando chega no inverno recebe cinco?”, ressalta.
As melhorias no setor também devem contemplar os agricultores familiares, que dependem, em sua maioria, da pecuária. “74% da agricultura familiar ainda tem como atividade principal a pecuária. Considerando todas as pecuárias, 29% da agricultura familiar sobrevive da produção de leite. E nós temos no estado, hoje, aproximadamente 40 mil agricultores familiares”, diz o secretário.
O governador do Estado, Eduardo Riedel, destaca que o programa pretende transformar o cenário da produção de leite no estado. “Mato Grosso do Sul merece ter uma cadeia produtiva do leite a altura do que já teve e a altura do que pode ser, muito além do que está hoje”, afirma.