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Mão de obra, um gargalo no Brasil

Falta de conectividade é outro entrave para adoção das tecnologias, segundo produtores brasileiros

Redação Digital
Por: Redação Digital Fonte: Globo Rural
10/11/2025 às 09h24
Mão de obra, um gargalo no Brasil
Agritechnica é a maior feira de máquinas agrícolas do mundo — Foto: DLG

Nos corredores da Agritechnica 2025, maior feira de tecnologia agrícola do mundo que ocorre na Alemanha, o ruído alto de conversas permite identificar grupos de produtores brasileiros. Vindos de diferentes regiões, principalmente do Sul e do Centro-Oeste, eles observam tratores elétricos, híbridos e sistemas autônomos, além de muitos drones e implementos. Anotam detalhes e fotografam máquinas com olhos curiosos.

Mas, entre a empolgação, há consenso sobre os obstáculos que ainda enfrentam para implementar todas as novidades no Brasil. Uma das principais queixas é que falta mão de obra especializada em solo brasileiro para operar os sistemas.

Outra questão é a conectividade limitada. “O Brasil não fica atrás na tecnologia. Mas não temos gente para aplicar essas soluções de forma eficiente”, afirma Simone Junqueira Sangaleti, produtora de grãos em 4,5 mil hectares em Primavera do Leste (MT). Segundo ela, é comum que o profissional, depois de treinado para lidar com os equipamentos, mude de emprego. “Acabamos não usando toda a tecnologia de que dispomos.”

Maria Isabel Finger, agrônoma do Rio Grande do Sul, que está pela terceira vez na Agritechnica, acrescenta que “muitas ferramentas aqui não podem ser aplicadas a pleno no Brasil porque ainda falta conectividade em algumas regiões importantes do agronegócio”. Ela planta arroz irrigado, soja e trabalha com pecuária de corte.

Mas os visitantes brasileiros ouvidos pelo Valor reconhecem o valor de estar na feira: uma oportunidade de conhecer tendências globais, avaliar inovações e aprender como podem ser adaptadas ao Brasil, mesmo com limitações de infraestrutura.

“É a primeira vez que viemos à Alemanha, embora já tenhamos participado de feiras nos Estados Unidos três vezes”, conta Ozenan Dias, destacando a diferença em relação às feiras brasileiras. “Aqui é muito mais avançado, o ambiente, a organização, o que conseguimos observar. É algo que chama atenção até para quem já está acostumado com tecnologia no campo.”

O produtor tem 3,14 mil hectares em Costa Rica, em Mato Grosso do Sul, onde integra lavouras de soja, milho e milheto com pecuária extensiva e 460 hectares de reserva [mata]. (FP)

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