Uma operação conjunta da Polícia Federal e da Receita Federal desarticulou parte de uma organização criminosa especializada no transporte ilegal de cigarros pela fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai. As investigações apontam que o grupo movimentou aproximadamente R$ 600 milhões ao longo de seis anos, mantendo uma estrutura logística complexa, com frota própria, entrepostos clandestinos e monitoramento em tempo real das forças de segurança.
Segundo informações apuradas pelas autoridades, os criminosos utilizavam comboios com mais de dez veículos por viagem, geralmente modelos de médio porte carregados com cerca de 30 caixas de cigarros cada. O trajeto começava em Pedro Juan Caballero, na fronteira, e seguia até pequenos distritos da região de Dourados, onde a carga era descarregada em galpões usados como pontos de transbordo. A partir dali, outros veículos assumiam o transporte e levavam o contrabando principalmente para cidades da região de Presidente Prudente, em São Paulo.
A investigação ganhou força após uma apreensão realizada em outubro deste ano, quando a Polícia Militar interceptou parte de um comboio formado por 12 veículos. Três deles foram retidos, carregados com mais de dois mil pacotes de cigarros cada. Caso todo o comboio tivesse sido capturado, a carga ultrapassaria 24 mil pacotes.
A Receita Federal informou que o grupo mantinha uma movimentação financeira mensal superior a R$ 8 milhões, somando mais de R$ 100 milhões apenas no último ano. Documentos analisados pelas autoridades indicam que os investigados atuam na mesma prática criminosa desde 2019, sustentando perdas diárias de cargas sem interromper o fluxo ilegal.
A PF destaca que a quadrilha possuía uma rede de informantes e utilizava grupos de mensagens para acompanhar a localização de operações policiais nas rodovias federais e estaduais. Essa estratégia permitia ajustar rotas e evitar bloqueios, garantindo a continuidade do esquema. Até o momento, não há indícios de que o grupo estivesse envolvido em outros tipos de contrabando além do cigarro.
A Operação Porto Seco, deflagrada nesta semana, cumpriu mandados de busca e apreensão em Dourados e Douradina. Celulares, arquivos e registros encontrados devem ajudar na identificação de outros envolvidos e na expansão da investigação. Segundo a PF, ao menos 20 pessoas fazem parte do núcleo operacional da quadrilha.
O contrabando de cigarros é crime previsto no artigo 334-A do Código Penal, com pena de reclusão de 2 a 5 anos, além de sanções administrativas aplicadas pelo fisco.