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China adia investigação sobre carne bovina e mantém pressão sobre o mercado de boi gordo
Rumores sobre possíveis restrições de exportações pelo chineses têm impactado cotações no Brasil
25/11/2025 08h14
Por: Redação Digital Fonte: Canal Rural
Foto: Reprodução/Giro do Boi.

O governo chinês decidiu prorrogar, pela segunda vez, o prazo da investigação sobre possíveis medidas de salvaguarda aplicadas às importações de carne bovina. A confirmação veio nesta terça-feira (25), por meio do Ministério do Comércio da República Popular da China (MOFCOM).

Segundo o comunicado, “tendo em vista a complexidade do caso, o Ministério do Comércio decidiu prorrogar novamente o prazo da investigação até 26 de janeiro de 2026”. A apuração começou em 27 de dezembro de 2024 para analisar se o aumento das compras internacionais estaria prejudicando a produção doméstica.

A primeira prorrogação ocorreu em 6 de agosto de 2025, quando o prazo foi ampliado até 26 de novembro. Com a nova decisão, o processo se estende por mais dois meses, mantendo o ambiente de incerteza para o Brasil, principal fornecedor de carne bovina ao mercado chinês.

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Ministério da Agricultura descarta risco de suspensão

Apesar das especulações sobre possíveis restrições motivadas por detecções de Fluazuron, substância usada no controle de carrapatos, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) afirma que não há qualquer indício de bloqueio por parte da China.

Em entrevista exclusiva ao Canal Rural, o secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart, negou veementemente que a substância tenha voltado a aparecer nos embarques recentes.

“Não há nada nesse sentido. Seguimos em discussão com as autoridades sanitárias chinesas sobre detecções que ocorreram no início deste ano e no ano passado”, afirmou.

Goulart reforçou que o Brasil acompanha de perto o andamento da investigação chinesa, por meio do Mapa, da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais e do Itamaraty. A expectativa é positiva.

“Nós esperamos um bom resultado, uma investigação que mostre que as exportações brasileiras não impactam de forma significativa a economia do produtor local chinês.”

Segundo o secretário, o risco de suspensão foi descartado, e o governo segue em diálogo com a Administração Geral de Alfândegas da China (GACC).

“Nosso objetivo é mostrar que o sistema agropecuário do Brasil é transparente e que não causa impactos negativos na produção local chinesa.”

Principal comprador

A China segue como o destino mais importante para a carne bovina brasileira. Em outubro, o país asiático comprou 190,8 mil toneladas, equivalente a 53% de tudo o que o Brasil exportou no mês, gerando US$ 1,04 bilhão em receita.

No acumulado de 2025, a relevância chinesa permanece elevada: 48,1% do volume exportado e 49,7% da receita vêm da China. Muito atrás aparecem União Europeia, Estados Unidos, México e Chile.