
A manhã desta segunda-feira (24) foi marcada por forte tensão política e grande mobilização na Câmara Municipal de Bonito, onde empresários do trade turístico, comerciantes e moradores compareceram em peso para protestar contra a Taxa Ambiental, anunciada pela Prefeitura e prevista para começar a ser cobrada em 20 de dezembro.
Embora o tema não estivesse na pauta oficial da sessão, a presença maciça do público deixou claro o motivo da mobilização: o setor quer a revogação imediata da taxa, que, segundo relatos, já vem provocando cancelamentos de reservas, retração no fluxo de turistas e desgaste à imagem de Bonito como destino de natureza.
Durante o uso da palavra livre, cinco vereadores — André Luiz, Michele Flores, Rose da Financeira, Alemão do Som e Professora Ramona — agradeceram a presença dos manifestantes e se posicionaram contra a Taxa Ambiental, declarando apoio à construção de um projeto de lei para revogar a cobrança.
Esses parlamentares também se reuniram com empresários no período da tarde, reforçando o compromisso de apresentar a revogação com urgência para tentar evitar novos prejuízos ao setor.
Na outra frente, os vereadores Professor PH, Lucas Capacete, Pedrinho da Marambaia e Jonathan Marques — que já haviam votado a favor da taxa em 2021 e 2022 — mantiveram sua posição favorável à cobrança. Segundo relatos de pessoas que acompanharam a sessão, o grupo demonstrou resistência às críticas do trade.
O líder do prefeito na Câmara, Adão Duarte, também defendeu a manutenção da taxa, contrariando o pedido de empresários e moradores. Já o vereador Paulinho da Darom adotou um discurso visto como moderado e não se posicionou claramente, mantendo postura indefinida.
A cobrança, anunciada há apenas quatro dias, foi suficiente para gerar forte instabilidade no setor. Proprietários de agências e atrativos relatam que visitantes começaram a cancelar viagens, especialmente turistas que planejavam visitar Bonito no fim do ano. Há também registro de dúvidas constantes nas redes sociais, criando um ambiente de desconfiança entre viajantes.
Empresários afirmam que a medida chega em um momento especialmente delicado, já que o destino enfrenta retração no fluxo de visitantes. Para o trade, a taxa representa um risco direto à competitividade da cidade frente a outros destinos de ecoturismo.
A implantação da Taxa Ambiental ocorre em um período de forte desgaste político da administração municipal, que recentemente enfrentou prisões de servidores comissionados por casos de corrupção. As denúncias repercutiram negativamente entre moradores e empresários, ampliando a insatisfação com a atual gestão e potencializando o impacto da decisão sobre a taxa.
Durante a reunião, o empresário Breno Teixeira destacou que os vereadores têm obrigação de defender os interesses da população e pediu engajamento constante da comunidade.
“Os vereadores foram eleitos para defender o povo, não para seguir ordens do prefeito. Se mudaram de opinião uma vez, podem mudar de novo — dessa vez para atender a população que os colocou lá”, afirmou.
Breno também reforçou que as redes sociais devem ser usadas como ferramenta de mobilização.
“A indignação precisa ser mostrada e compartilhada. Bonito não pode aceitar calada uma decisão que afeta diretamente 70% da população que vive do turismo.”
Ele concluiu pedindo que moradores sigam denunciando os prejuízos da taxa e pressionando de forma pacífica, tanto presencialmente quanto online.
Com a crescente resistência do setor e o posicionamento dividido na Câmara, a expectativa é de que os próximos dias sejam decisivos. Empresários e lideranças já indicam que a manifestação desta segunda-feira foi apenas o começo de uma mobilização maior para tentar impedir que a Taxa Ambiental entre em vigor ainda em 2025.