Economia Burocracia
Banco Central cria ‘teto de gastos’ para as indenizações do Proagro
Se orçamento for comprometido, produtores de municípios com mais risco de aumento de despesas serão temporariamente bloqueados
05/01/2026 10h05
Por: Redação Digital Fonte: Globo Rural
A estimativa da indústria para 2026 é de um avanço de 3,4% — Foto: Globo Rural

Após atingir um crescimento de 10% em 2025 e alcançar uma receita de R$ 68 bilhões, o setor de máquinas e implementos agrícolas deve ter um crescimento mais fraco em 2026. A estimativa da indústria é de um avanço de 3,4%.

Fatores como taxa de juros elevada e renda dos produtores comprometida por custos de produção mais altos, sem expectativa de valorização das commodities, desestimulam a renovação do maquinário no campo, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Pedro Estevão Bastos de Oliveira, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA) da Abimaq, ressaltou que as taxas de juros para o Plano Safra 2025/26 ficaram elevadas, em 13,5% para o Moderfrota (que atende produtores empresariais) e 10% para o Pronamp (de custeio de safra). A exceção foram os juros do Pronaf, de 5%, e é justamente esse programa que tem estimulado as vendas de tratores menores, atendendo a agricultura familiar. “Os setores de café, laranja e pecuária, que estavam mais capitalizados, também demandaram mais tratores de menor porte em 2025”, disse Oliveira. A expectativa é de manutenção dessa tendência em 2026, afirmou.

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Oliveira ponderou, no entanto, que cerca de 60% do mercado de máquinas agrícolas é voltado para soja e milho. E esses setores estão mais pressionados pelos preços das commodities baixas e custos mais elevados. “Tem recurso do Moderfrota sobrando. O problema do crédito caro tem afetado principalmente os produtores do Centro-Oeste e do Sul do país”, afirmou.

Na categoria de tratores e colheitadeiras, a expectativa é que as vendas fiquem estáveis em relação a 2025, segundo a Anfavea.

De janeiro a novembro de 2025, as vendas totais de máquinas agrícolas no país no atacado cresceram 16,1% em relação ao mesmo período de 2024, para 44,5 mil unidades. No varejo, houve queda de 0,7%, para 43 mil unidades. As exportações cresceram 2,6%, totalizando 5,7 mil unidades. Segundo a Anfavea, o mercado ficou concentrado em máquinas de baixa potência e de menor valor agregado.

A AGCO, dona das marcas Fendt, Massey Ferguson e Valtra, prevê crescimento de 3% a 4% nas vendas em 2026. “Pecuária, laranja e café, seguem bem em 2026. [O setor de] grãos continua com desempenho estável. Os preços dos grãos não mudam muito e, por mais que a previsão de clima seja favorável, a taxa de juros dá uma segurada no investimento”, afirmou Rodrigo Junqueira, gerente geral da AGCO para América do Sul.

Junqueira acrescentou que os produtores estão buscando alternativas para financiar a compra de tratores e colheitadeiras, como consórcios, financiamentos em moeda estrangeira e operações de barter. “Entre médios e grandes produtores, a busca por consórcio aumentou muito”, disse. A AGCO informou que tem carteira de pedidos para entregas até abril e que os pedidos são principalmente para os setores de cana-de-açúcar, café, citros, frutas e pecuária. A demanda para grãos costuma ser mais forte para entregas no segundo semestre, segundo Junqueira.

A John Deere informou em seu balanço do quarto trimestre fiscal de 2025 que espera para 2026 estabilidade nas vendas de tratores e colheitadeiras na América do Sul. Procurada, a companhia não quis comentar. A CNH,