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Fechamento do Estreito de Ormuz retém quase um milhão de toneladas de fertilizantes
Informação é do Nikkei Ásia. Situação aumenta custos de logística e encarece o insumo para o produtor
13/03/2026 11h25
Por: Redação Digital Fonte: Globo Rural
Descarga de fertilizantes no Porto de Paranaguá. Guerra no Oriente Médio prejudica fluxo de cargas — Foto: Cláudio Neves/Portos do Paraná

Mais de 20 navios carregados com cerca de um milhão de toneladas de fertilizantes estão parados no Estreito de Ormuz. A informação é do Nikkei Ásia. O local, importante via de tráfego de mercadorias, está fechado por causa da guerra no Oriente Médio, que coloca em lados opostos Irã, Israel e EUA.

"Enquanto as avaliações de segurança e as condições de risco não melhorarem, as empresas de transporte marítimo serão cautelosas em relação às decisões de trânsito, e a logística poderá demorar a voltar ao normal", disse, ao Nikkei Ásia, Akiyoshi Kawashima, da Shippio, uma empresa japonesa que oferece serviços de comércio baseados na nuvem.

Os dados da Kpler, que a publicação cita, mostram nove navios com 463 mil toneladas de ureia, fertilizante nitrogenado do qual o Brasil também é dependente de importação; oito com 303 mil toneladas de enxofre; e outros dois com 105 mil toneladas de fosfatos. Há também uma embarcação com ureia e fosfatos e outra com fertilizantes não identificados.

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Os países do Golfo são importantes fornecedores de fertilizantes baseados em gás natural ou petróleo. A produção é de 22 milhões a 30 milhões de toneladas de enxofre e de 30 milhões a 38 milhões de toneladas de ureia anualmente. Mais da metade do fornecimento global de enxofre e mais de 30% da ureia passam pelo Estreito de Ormuz.

Com a escalada da guerra e a interrupção do tráfego no local, o mercado global já trabalha com a expectativa de aumento de custos de frete e de custos adicionais relacionados à segurança das embarcações. E a interrupção do fornecimento de uma região importante tende a encarecer o adubo e elevar custos de produção agrícola, com riscos à segurança alimentar.

Colocando o mercado asiático em contexto, o Nikkei Ásia menciona que 40% da ureia, 54% do enxofre e 71% da amônia são importados do Oriente Médio. Países que dependem mais diretamente dessa oferta tendem a ter um impacto direto no seu abastecimento com o insumo.

O Japão, informa a publicação, também depende de fertilizante importado, mas grande parte de sua demanda é atendida por países de fora do Oriente Médio. Ainda assim, mesmo que consiga receber o produto, a tendência é de que ele chegue mais caro para o comprador.