
O mercado de carne suína no Brasil está experimentando um ajuste positivo, resultando em melhores preços para os produtores. Dados oficiais do primeiro trimestre de 2024 e estimativas de abril e maio indicam um pequeno crescimento na produção de suínos, inferior a 3%, aliado a um ligeiro aumento nas exportações em relação ao ano passado. Isso demonstra que a oferta interna de carne suína permanece estável.
As cotações do suíno vivo para abate mantiveram-se relativamente estáveis ao longo do mês, com pequenas oscilações de demanda, especialmente nas primeiras semanas, devido à entrada dos salários.
Em junho, no entanto, houve uma mudança significativa nesse comportamento. Os preços na Bolsa de Suínos de Belo Horizonte (BSEMG) ultrapassaram a barreira de R$ 7,00, mantendo-se em alta até a última semana do mês. Este aumento também foi observado nos preços da carcaça suína em São Paulo.
Por outro lado, a carne bovina apresentou um viés de queda nas cotações em junho, devido ao aumento nos volumes de abate em comparação com o ano passado. Esse movimento antagônico entre as carnes bovina e suína reduziu a diferença de preços (spread) entre as duas carcaças. O preço do quilograma da carcaça bovina, que anteriormente valia mais que o dobro da carcaça especial suína, em junho está com uma diferença próxima a 40%. Segundo o Cepea, essa é a menor diferença desde novembro de 2020, quando o kg da carcaça suína ultrapassou R$ 13,00.
Essa redução do spread indica uma relativa escassez de carne suína no mercado atual, mas pode limitar aumentos significativos nos preços nas próximas semanas, caso os preços da carne bovina não subam novamente.
As exportações de carne suína in natura em maio mantiveram a tendência de queda nos embarques para a China, que, no acumulado do ano, reduziram em quase 40% as importações de carne suína brasileira, representando apenas 23,5% do total exportado nos primeiros cinco meses de 2024. Em contrapartida, as Filipinas consolidaram-se como o segundo maior comprador do Brasil e o México, após uma suspensão de quase quatro meses devido a pressões internas, voltou a importar volumes expressivos de carne suína brasileira.
A colheita do milho safrinha no Centro-Sul do Brasil alcançou 9,1% da área até 14 de junho, superando a média histórica. No Mato Grosso, cerca de 14% das áreas de safrinha foram colhidas. Nos EUA, o plantio da safra de milho foi concluído e está nos estágios iniciais de desenvolvimento, apresentando as melhores condições dos últimos quatro anos.
A Conab divulgou um aumento na previsão de colheita para a safra 2023/24, estimando 114,1 milhões de toneladas de milho, com pouco mais de 88 milhões de toneladas provenientes da segunda safra.
Com alta disponibilidade de milho no Brasil e uma safra estadunidense promissora, as cotações do grão apresentaram uma ligeira queda em junho.
Marcelo Lopes, presidente da ABCS, comemorou o fato de o preço do suíno vivo ter ultrapassado a barreira dos R$ 7,00 em Minas Gerais por mais de duas semanas consecutivas, uma tendência observada em outras regiões relevantes da suinocultura.
A redução da diferença de preço entre a carcaça suína e bovina indica que a demanda por carne suína está superando a oferta, sustentando os preços. A alta oferta de milho e a proximidade do segundo semestre, que tradicionalmente aumenta a demanda por carne suína, deixam o setor otimista para os próximos meses.