Pecuária Resposta
Entidades do agro reagem ao veto da União Europeia contra carnes, aves, peixes e mel do Brasil
Federações e associações do setor criticam decisão confirmada pela UE na última sexta-feira (5) e cobram resposta do governo brasileiro
08/06/2026 09h11
Por: Redação Digital Fonte: Canal Rural
Imagem gerada por IA para o Canal Rural

Entidades do agronegócio reagiram à decisão da União Europeia (UE), confirmada na última sexta-feira (5), de suspender a importação de produtos brasileiros de origem animal, como carne bovina, aves, mel, peixes da aquicultura e outros subprodutos a partir de setembro de 2026.

Representantes do setor criticam a medida, defendem a qualidade sanitária da produção nacional e cobram uma resposta mais firme do governo brasileiro e do Mercosul diante das exigências impostas pelo bloco europeu.

A restrição está relacionada às regras da UE sobre o uso de antimicrobianos, como antibióticos, na produção animal. O regulamento europeu foi aprovado em 2019 e complementado em 2023, estabelecendo prazo até setembro de 2026 para que os países exportadores comprovassem equivalência regulatória às normas sanitárias do bloco.

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Segundo comunicado da Comissão Europeia, as informações apresentadas pelo Brasil foram consideradas insuficientes para validar os processos oficiais de fiscalização exigidos pela UE.

SRB pede análise técnica e revisão do processo

A Sociedade Rural Brasileira (SRB) afirmou que o episódio precisa ser analisado sob o ponto de vista técnico e regulatório, sem transformar o debate em busca por culpados.

Em nota, a entidade defendeu uma investigação detalhada sobre quais etapas do cronograma de adequação não avançaram dentro do prazo previsto pela União Europeia.

A SRB argumenta que o Brasil possui capacidade técnica para atender às exigências internacionais e cita o histórico do Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal, além dos mecanismos de autocontrole do setor privado, como fatores que ampliaram a eficiência da fiscalização sanitária brasileira.

No caso da pecuária bovina, a entidade também destacou a experiência do Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (Sisbov), utilizado para garantir rastreabilidade em mercados mais exigentes.

Para a SRB, o caso deve servir para aperfeiçoar procedimentos e fortalecer a capacidade do país de responder a exigências regulatórias cada vez mais rigorosas no comércio internacional.

Faep critica veto e cobra ação do governo federal

O Sistema Faep, da Federação da Agricultura do Estado do Paraná, classificou a decisão europeia como incompatível com a realidade sanitária brasileira e cobrou do governo federal o envio urgente das informações exigidas pela UE.

Segundo a entidade, o Brasil e o Paraná possuem reconhecimento internacional como áreas livres de febre aftosa sem vacinação e contam com estrutura sanitária consolidada na cadeia pecuária.

A Faep também destacou o impacto econômico da medida. Em 2025, os embarques dos produtos atingidos pela restrição somaram US$ 1,8 bilhão dentro de um total de US$ 49,8 bilhões exportados pelo agronegócio brasileiro para a União Europeia.

Na avaliação da federação, o bloqueio afeta diretamente frigoríficos, exportadores e produtores integrados às cadeias de proteína animal.

A entidade ressaltou ainda que associações do setor, como a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), entendem que o impasse não envolve falhas sanitárias no campo, mas divergências burocráticas relacionadas à validação dos processos oficiais de fiscalização conduzidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

O Ministério das Relações Exteriores informou que mantém negociações diplomáticas para tentar reverter a decisão europeia.

Faesp cobra reação mais firme do Mercosul

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) também criticou a decisão da União Europeia e afirmou que as novas exigências representam uma mudança nas condições discutidas ao longo de 25 anos de negociações entre Mercosul e UE.

A entidade contestou o argumento sanitário utilizado pelo bloco europeu e alegou tratamento desigual em relação a países concorrentes, como Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia.

Na avaliação da Faesp, as restrições ampliam a insegurança para frigoríficos, pecuaristas, exportadores e processadores que atuam no mercado europeu.

A federação também defendeu uma atuação diplomática mais firme do Mercosul, com posicionamento conjunto entre Brasil, Argentina e Uruguai diante das barreiras impostas pela União Europeia.

Setor aguarda definição sobre alcance da medida

Apesar das manifestações das entidades, ainda não há detalhamento completo sobre o alcance prático da decisão europeia.

Até o momento, não foram divulgadas oficialmente informações adicionais sobre documentos pendentes, exigências complementares, cronograma de revisão das restrições ou o volume exato das exportações que poderão ser afetadas.

O setor avalia que os próximos passos dependerão do avanço das negociações diplomáticas e do envio das informações técnicas exigidas pela União Europeia para validar os sistemas brasileiros de controle sanitário e fiscalização.