
O mercado pecuário iniciou agosto em firme movimento de alta. A combinação de menor oferta de animais para abate, demanda interna aquecida e desempenho vigoroso nas vendas externas elevou o preço do boi gordo nas principais praças do País. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços mostram que julho encerrou com 310,2 mil toneladas de carne bovina in natura e processada embarcadas, volume 15,3 % superior ao de junho e 4 % acima do antigo recorde de outubro do ano passado. A receita também foi histórica, alcançando R$ 9,2 bilhões, resultado impulsionado pela valorização do dólar e pelo mix de cortes enviados.
A notícia positiva chegou no mesmo dia em que entrou em vigor a tarifa de 50 % aplicada pelos Estados Unidos às importações brasileiras, medida que preocupou produtores e exportadores. Apesar do novo custo, o volume remetido ao mercado norte-americano em julho praticamente repetiu o nível de junho, com 18,2 mil toneladas, embora o preço médio tenha recuado de US$ 6,78 para US$ 6,58 por quilo. Analistas avaliam que, por ora, a competitividade relativa da carne nacional compensa a sobretaxa, mas a margem pode ficar apertada se a cotação do dólar perder força ou se os frigoríficos norte-americanos reforçarem a oferta interna.
O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada lembra que as negociações para abertura do Japão avançam, ainda restritas aos três Estados do Sul, mas simbólicas para a imagem sanitária do Brasil. Na avaliação do Cepea, a possível entrada do mercado japonês serviria de selo adicional de confiança e poderia estimular novos compradores a flexibilizar exigências. Já a Scot Consultoria registrou aumento de preços em 17 das 32 regiões pesquisadas nesta quarta-feira. Em Araçatuba e Barretos, referências do mercado paulista, a arroba do boi gordo subiu cinco reais e fechou a R$ 305 no pagamento a prazo. Houve o mesmo acréscimo para o “boi China” e para a novilha, enquanto a vaca ficou três reais mais cara. Segundo a consultoria, produtores paulistas postergam a venda dos lotes à espera de cotações ainda melhores, movimento que mantém a oferta curta e sustenta a valorização.
O cenário reforça a expectativa de que, salvo um choque adverso no câmbio ou na demanda externa, o boi gordo possa recuperar perdas acumuladas no primeiro semestre. Mesmo com a pressão do tarifaço dos EUA, a diversificação geográfica dos embarques e a discussão de novos mercados, como o japonês, oferecem um colchão de proteção às remunerações dos pecuaristas brasileiros.