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Bovino Pantaneiro: conheça a raça de sangue europeu que é patrimônio genético nacional

A raça foi trazida à região pantaneira na época do Descobrimento do Brasil por portugueses e espanhóis. Saiba o que a ciência diz sobre este tipo de gado

Redação Digital
Por: Redação Digital Fonte: Giro do Boi
20/06/2024 às 09h20
Bovino Pantaneiro: conheça a raça de sangue europeu que é patrimônio genético nacional

O Bovino Pantaneiro é uma das joias da pecuária brasileira. Raquel Juliano, pesquisadora da Embrapa Pantanal, deu detalhes sobre essa raça que chegou à maior área alagável do mundo ainda na época do descobrimento do Brasil.

Originário da Península Ibérica, o animal foi trazido por portugueses e espanhóis. Pesquisadores da Embrapa e de outras instituições estudam este gado há muitos anos, consolidando-o como um patrimônio genético nacional.

Adaptação e características da raça Bovino Pantaneiro

O Bovino Pantaneiro é uma raça taurina extremamente adaptada às condições específicas do Pantanal. Suas principais características são a adaptação e rusticidade, sendo capazes de suportar tanto as altas temperaturas que racham o solo quanto às enchentes que alagam vastas áreas do bioma.

“Este animal possui cascos densos e resistentes, ideais para as variações extremas de clima.”

Além disso, são animais de dupla aptidão, produzindo carne e leite.

Contribuição histórica e conservação da raça

Raquel Juliano destacou que esses bovinos chegaram ao Pantanal durante a colonização, trazidos por espanhóis e portugueses, e inicialmente foram criados em condições naturais antes do estabelecimento da pecuária como atividade econômica no século 19.

Com a introdução do Nelore, houve uma miscigenação que reduziu drasticamente a população original do bovino pantaneiro, levando-o à beira da extinção.

A Embrapa, desde a década de 1980, trabalha em projetos de conservação para recuperar e preservar a raça.

População atual e desafios de conservação

Hoje em dia, estima-se que a população de Bovinos Pantaneiros esteja em torno de 2.700 a 3.000 animais.

“A variabilidade genética é fundamental para evitar a consanguinidade excessiva e manter a adaptabilidade da raça.”

A Embrapa Pantanal mantém um criatório dedicado a preservar essa variabilidade genética, fornecendo recursos genéticos valiosos para futuros esforços de conservação e melhoramento.

Vantagens do bovino pantaneiro e inclusão no cenário sustentável
Apesar do tamanho menor em comparação a outras raças, o bovino pantaneiro possui habilidades maternas excepcionais, alta libido e precocidade sexual, tornando-os ideais para sistemas de criação sustentáveis.

“Eles têm uma maior espessura de pele e são extremamente prolíferos, com comportamentos de defesa do rebanho que os tornam únicos, especialmente em criações extensivas.”

Registro da raça e futuro

Um dos passos mais importantes em curso é o registro oficial da raça pelo Ministério da Agricultura, o que consolidará o Bovino Pantaneiro como um produto de valor, abrangendo sêmen, embriões, carne e marcas.

“Estamos ansiosos por isso, pois permitirá um maior reconhecimento e estímulo aos criadores, fortalecendo a posição do bovino pantaneiro no patrimônio genético brasileiro.”

Raça promissora para a pecuária sustentável

O Bovino Pantaneiro não só faz parte da história do Brasil, mas também representa um futuro promissor para a pecuária sustentável.

O trabalho da Embrapa Pantanal e seus parceiros é essencial para garantir que essa raça, tão adaptada e valiosa, continue a prosperar, refletindo um equilíbrio entre tradição e inovação no agronegócio brasileiro.

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